Sombreamento – O que você precisa saber

Tempo de leitura: 10 minutos

Técnicas de Luz & Sombra

Oi artistas! Tudo bem?

Temos falado do “bê-á-bá” para um bom DESENHO REALISTA e nesse post abordaremos uma das técnicas que mais fazem com que a nossa obra “salte aos nossos olhos”…

Uma foto em alta definição, um esboço bem feito, um traço bem detalhado… tudo isso é parte de um bom desenho realista, mas uma das coisas que mais faz com que o desenho “pareça vivo” e nos faça questionar se o que vemos diante de nós é “apenas” ou desenho ou uma foto real é o SOMBREAMENTO.

É através do sombreamento que o artista (nesse caso, você mesmo!) consegue dar a representação de volume e proporção em sua obra e nesse post vamos explorar um pouco essa técnica tão valiosa para a arte realista.

Escala Tonal

Entende-se por “tom” a medida de “claro e escuro” de uma determinada cor e, através dessas variações, nós conseguimos simular a quantidade de luz em um desenho ou pintura.

Porém, antes de trabalharmos com esses efeitos de luz e sombra, precisamos entender um conceito muito importante para o artista, que é chamado de ESCALA TONAL, pois é através dessa técnica que teremos a sensação de profundidade e volume no desenho.

Na realidade, trata-se de uma “escala” composta por uma única cor, com pequenas variações, começando da variação mais escura para a variação mais clara dessa mesma cor.

Essa escala de tons pode ser tanto colorida ou monocromática mas, ilustrando a idéia, temos a seguinte figura:

Escala tonal de cores

Os valores embaixo de cada uma das cores são os “valores tonais” que o artista pode se utilizar. Nesse caso, o valor “1” é o mais escuro (ausência completa de luz) e o valor “10” é a total incidência de luz em um objeto.

O artista pode se decidir com quantos tons ele pode trabalhar em seu desenho e a escala acima, com 10 graduações, já é suficiente para reproduzir qualquer tipo de intensidade de luminosa ou mesmo sombras.

Para se ter um idéia do “poder” da escala tonal, veja o que pode ser feito à partir da correta aplicação de escalas de valores tonais:

Os quadrados centrais são de mesmo tamanho e de mesma escala tonal

Curioso, não é? Então, dê uma olhada nessa próxima figura: 

Os círculos têm exatamente o mesmo tamanho, porém um deles nos dá a impressão de ser maior apenas por estar dentro de um quadrado escuro.

Bom, já deu para perceber que pela combinação de tons a gente pode ir bem longe, não é? 

Agora, vamos ver como é que todos esses tons “se transformam” em luz e sombra!

Luz & Sombra na prática

Tipos de luz e sombra

Bom, como já citamos, as noções de profundidade e volume de um desenho realista se dão através da incidência de luz em ângulos específicos do desenho e, por sua vez, esse “feixe de luz” projetado no objeto (ou cena) cria também sombras (ou ausência de luz) nas partes opostas.

Portanto, a primeira decisão que o artista deve tomar é: “DE ONDE VIRÁ A LUZ EM MEU DESENHO?”

Essa primeira decisão é extremamente importante, pois um desenho com “luzes por todos os lados” ou “sem luz alguma” vai produzir apenas um desenho totalmente claro e sem aquela sensação de volume e profundidade ou então um desenho escuro, também sem qualquer definição.

Vamos dar uma olhada em todos os tipos de LUZ & SOMBRA que podem ajudar o artista a passar a sensação de realismo em suas obras: 

Tipos de Luzes

Existem dois tipos de luzes: a luz natural (do sol) e a luz artificial (obtidas através de lâmpadas ou velas, por exemplo…), mas existem também outros tipos de elementos, conforme abaixo:

  • Luz plena: como o próprio nome já diz, é a luz “não sombreada”, onde deixamos o “branco” do papel para representá-la;
  • Luz especular: é aquele “pontinho” de luz com o brilho mais acentuado;
  • Luz refletida: é o reflexo de luz que fica nas bordas do objeto;
  • Luz de recorte: é uma fina camada de luz em volta do objeto, de modo que ele se destaque do fundo, dando a sensação de profundidade

Tipos de Sombras

Bom, se por um lado temos um feixe de luz, do outro nós temos as sombras (ou ausência de luz).

A exemplo das luzes, temos também algumas formas diferentes de sombreamento que podem ser aplicadas no desenho para reproduzir a sensação de volume. São elas:

  • Sombra própria: são as que se originam no próprio objeto;
  • Sombra projetada: são aquelas que se reproduzem nas superfícies vizinhas;
  • Meia Sombra: podemos dizer que se trata de um “zona de transição” entre a luz e a sombra própriamente dita, como se fosse uma variação de tons (lembra da escala tonal que a gente viu um pouco antes? );

Técnicas de sombreamento

Bom, conforme vimos até aqui, existem diferentes formas de luz e sombra utilizados para a criação de volumes e texturas em desenhos realistas.

Mas, de qualquer forma, para o sombreamento tudo começa da maneira mais simples, com rabiscos no papel:

Depois dessa etapa, você pode aprimorar o seu sombreamento usando o esfuminho ou algodão:

Porém, existem variações de aplicação de sombras que podem transmitir mais “realismo” aos desenhos. Vamos conhecê-las a seguir!

 

Circulismo

Muito utilizado para obtenção de texturas de pele, como o próprio nome sugere, essa técnica consiste em fazer o grafite “circular e entrelaçar” os traços até conseguir o efeito desejado.

À primeira vista, a sua aplicação pode ser considerada “trabalhosa e monótona”, mas seus resultados podem ser surpreendentes, se aplicados da forma correta:

Exemplo de aplicação da técnica do circulismo – Obra do artista Brian Duey

Circulismo misto

À exemplo da técnica do circulismo, o artista realiza os mesmos movimentos com o grafite, com a diferença de que você pode começar com o grafite e ir “suavizando” o círculo com o esfuminho até conseguir reproduzir a textura de pele humana desejada (ou qualquer outra superfície).

Exemplo da técnica de circulismo misto – Obra do artista Brian Duey

Sombreamento “escuro”

Essa técnica cria sombreamentos bem negros, sendo mais facilmente aplicada usando-se carvão vegetal, mas para os casos em que sua aplicação se faz necessária usando o grafite, o artista normalmente se utiliza de lápis 7B e da técnica do circulismo (descrita acima).

Um outro ponto importante é que quando se trabalha com tons assim tão escuros, é comum que o o seu desenho “reflita” um tom brilhoso no papel, mas isso pode ser contornado com a aplicação de verniz fosco no papel após o desenho ter sido concluído.

Exemplo de aplicação do sombreamento “escuro” – Obra do artista Andre Skrob

Sombreamento “cruzado”

Esse é um tipo de sombreamento muito comum entre os desenhistas e consiste em se traçar um conjunto de linhas diagonais e logo depois, ao girar o desenho em 90º, traçar um novo conjunto de linhas que também irão se sobrepor ao primeiro grupo.

A quantidade de linhas, bem como o espaçamento entre elas dependerá do tipo de tom ao qual o artista quer chegar.

Exemplo de aplicação do sombreamento cruzado – Obra do artista Brian Duey

Sombreamento “cruzado e apertado”

Essa técnica é uma variação do sombreamento cruzado, só que a idéia é preencher todos os espaços da “sombra” que está sendo criada com  os traços diagonais.

A aplicação dessa técnica se dá principalmente no desenho de pêlos de animais.

Exemplo de aplicação do sombreamento “cruzado e apertado” – Obra do artista Brian Duey

Sombreamento com lápis de cor

O uso do lápis de cor para sombreamento normalmente utiliza a técnica do circulismo.

Uma dica importante é realizar o sombreamento com a mesma cor da superfície a ser sombreada, apenas variando o tom.

Exemplo de sombreamento com lápis de cor – Obra do artista Brian Duey

Sombreamento com Pastel

Creio que esse é o método cuja aplicação seja a mais fácil, pois o giz pastel é bem flexível e uma vez que o artista faz os traços (vide acima), ele pode “suavizá-los” ainda mais com o auxílio de um pedaço de tecido ou algodão, por exemplo, obtendo o efeito abaixo:

Com essa técnica é possível obtermos resultados bem interessantes, como a figura abaixo:

Exemplo de sombreamento com giz pastel – Obra do artista Brian Duey

Conclusão

Bom, chegamos ao final de mais um post! Quanta coisa…!!!

Conforme citado anteriormente, as luzes e sombras são responsáveis pela sensação de profundidade e volume em um desenho e a aplicação correta dessas técnicas faz o trabalho literalmente “saltar da folha” e passar ao expectador o nível de realismo desejado pelo autor.

Apesar de relativamente simples, são técnicas que exigem muita prática e dedicação do artista para que elas atinjam o nível de realismo e tridimensionalidade necessários.

O objetivo desse post então foi o de passar todas essas técnicas ao leitor, abrindo dessa forma um leque de opções para o leitor para suas aplicações.

Desejo que esse artigo tenha sido esclarecedor e vamos ficando por aqui! Te espero na próxima…

Fontes pesquisadas:

  • http://desenhetudo.blogspot.com.br/p/luz-e-sombra.html
  • http://desenhetudo.blogspot.com.br/2012/05/tipos-de-sombreamento.html
  • https://dessiner.wordpress.com/2010/08/26/sombrear/
  • http://aprendendoadesenhar.com.br/desenhos-sombreados-dicas-imperdiveis/
  • http://www.amopintar.com/tecnicas-de-sombreamento/
  • https://www.youtube.com/watch?v=j173EXIAsQ8
  • http://comodesenhar10.com/2013/10/aprenda-desenhar-luz-e-sombra.html
  • http://mfadesenhosrealistas.com.br/luz-e-sombra-estrutura-da-luz-e-sombra_4812/
  • http://mauriciodesenhosrealistas.blogspot.com.br/p/luz-e-sombra-estrutura-da-luz-e-sombra_4812.html?m=1
  • http://artesatividades.blogspot.com.br/2011/04/luz-sombra-propria-e-sombra-projetada_09.html
  • https://pt.slideshare.net/bruno13marques/curso-completo-de-desenho-luz-e-sombra
  • https://www.youtube.com/watch?v=DjbF_BJLcCc
  • https://piquiri.blogspot.com.br/2014/07/escala-tonal.html?m=1
  • http://www.amopintar.com/criar-uma-escala-tonal/
  • http://www.amopintar.com/luz-e-sombra/
  • https://www.inf.pucrs.br/~pinho/CG/Aulas/Iluminacao/Ilumina.html