Materiais para desenho realista

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Opa gente, olha eu aqui de novo…

Se você viu meu artigo inicial sobre não precisar de dom para o desenho, deve lembrar que eu falei com uma certa ênfase sobre o que é conhecido como “curva de aprendizado”.

Basicamente,  eu disse que a aprendizagem da arte do desenho é uma atividade contínua (e lembre-se, acima de tudo, prazerosa….) e que essa tal curva de aprendizado vai do “bê-a-bá” até onde você estiver disposto a ir em seus estudos.

Dessa forma, já que estamos falando sobre “começar do início”, antes de qualquer rabisco, precisamos conhecer o que o artista (nesse caso, você mesmo!!!) tem de matéria-prima para criar sua arte, ou seja, OS MATERIAIS PARA DESENHO.

“Nossa, mas são materiais de ‘outro mundo’, quase impossíveis de serem achados por simples mortais, uma vez que desenhos tão reais assim não podem ser feitos com apenas papel e lápis!” … 

Calma meu caro, não é nada disso … são materiais específicos sim, mas nada que você não encontre na lojinha da esquina. 

Bom… vamos logo ao que interessa!!

Tipos de papéis

É comum as pessoas confundirem “gramatura” com a “espessura” do papel, mas na realidade a gramatura do papel demonstra a “massa” do papel por sua área total, sendo expressa na unidade “g/m²” (ou “gramas por metro quadrado”).

Para efeitos de comparação, se considerarmos um papel de 280g/m² e um 230g/m², perceberemos que o papel de 280g/m² será mais “encorpado” ou resistente, pois as camadas que o compõem são mais densas.

Quanto à sua superfície, podemos ter os tipos de papel abaixo:

Lisos:

Nessa categoria encontramos os papéis SULFITE e LAYOUT, sendo os mais comuns, pois são utilizados para os primeiros esboços.

A gramatura pode variar entre 30g/m² e de 240g/m².

Rugosos:

Outra categoria bem utilizada para desenho são os rugosos. Nessa categoria temos normalmente dois tipos que se destacam: o FABRIANO, que usamos para desenhos feitos com lápis de cor, pastel seco, carvão e giz e o tipo ACQUA para pinturas em aquarela ou aguada

Semirugosos:

Temos alguns “subtipos” de papeis que se encaixam na divisão dos semirugosos:

  • Canson: Com gramatura entre 60g/m² e 280g/m², tem sua aplicação em trabalhos em grafite, lápis (integral, dermatográfico, cor e aquarelável), pastel (seco e oleoso) carvão, guache, naquim, aquarela, tinta acrílica (ou óleo) e ecoline.
  • Debret: Usado para guache, aquarela, carvão, lápis (preto ou de cor), canetas com ponta porosa, tinta nanquim, pastel (macio ou oleoso) ou tinta acrílica.
  • Ingres: Papel de superfície granulosa, normalmente utilizado em desenhos a carvão.

Cartonados:

São papéis mais rígidos, (420 mm x 600 mm) que podem ser usados com tintas guache, acrílica e óleo.

Texturizados:

São papéis que possuem relevo em sua superfície, sendo os mais conhecidos o linho, casca de ovo, vergê e feijão.

Coloridos:

São encontrados em diversas cores, entre elas:

  • Branca;
  • Amarela;
  • Azul;
  • Marrom;
  • Cinza;
  • Creme;
  • Laranja

Lápis

Os lápis de desenho variam de acordo com o tipo de grafite, podendo ir dos “mais duros” até os “mais macios”.

Para ajudar nessa diferenciação, foi criada uma escala que se utiliza de letras, sendo:

  • Lápis “H”: essa nomenclatura vem do inglês (“HARD”) e significa que são mais duros e finos;
  • Lápis “B”: já essa especificação vem também do inglês (“BLACK”) e são mais macios e grossos, utilizados em sombras;
  • Lápis “HB”: aqui temos um “meio termo” entre os dois tipos citados acima (“HARD / BLACK”).

Mas, para ficar um pouco mais claro, podemos dizer então que quanto maior for número de “H” (escala vai de “H” até “9H”), mais claro e duro será o grafite e, de maneira oposta, quanto maior for o número de “B” (escala vai de “B” até “9B”), mais claro e macio será o grafite.

Borrachas

Sem muito mistério, pode ser qualquer borracha branca e macia, ou caso seja de sua preferência, a caneta borracha também pode lhe ser útil, pois dependendo da área a ser apagada, uma caneta borracha com a borda “chanfrada” e fina (use o estilete para fazer esse corte na borracha) lhe fornece mais precisão para apagar o traço.

Estilete

Outro material extremamente comum e facilmente encontrado em qualquer loja é o estilete.

Como ele, o desenhista aponta o lápis e também realiza os “chanfros” em sua borracha.

Lapiseira

Outro material extremamente simples, mas de grande utilidade para o desenhista, a lapiseira serve para realizar pequenos detalhes, como um fio de cabelo ou mesmo pêlos em geral.

O ideal é que você tenha à sua disposição os dois tipos: 0.5 mm e 0.9 mm, com grafite “2B”.

Esfuminho

O esfuminho é um bastão enrolado em papel e que é utilizado para espalhar o grafite e assim como o lápis, tem também uma “escala” que vai de 1 até 6, sendo que a escala #1 é a mais fina e a escala #6 é a mais grossa.

Ele é usado para fazer sombras em seus desenhos, tornando-o assim mais realista.

Lixa

O esfuminho também precisa ser “apontado” e para isso, as lixas são usadas para realizar esse ajuste na ponta deste material.

Papel higiênico

O papel higiênico macio pode ser uma alternativa ao esfuminho, uma vez que esse papel é bem mais comum de ser encontrado.

Ele serve também para espalhar o grafite e criar grandes áreas de sombra, só que com maior rapidez, uma vez que não ficamos limitados à ponta do esfuminho.

Podemos usar também lenço de papel, algodão ou até mesmo cotonete e a “melhor” opção vai depender muito do tipo de trabalho a ser realizado.

Verniz fosco

Para conservar o seu trabalho final, evitando que o grafite saia do papel e seu desenho “desbote”, aplicamos sempre uma camada de verniz (spray).

Outro ponto é que se você for expor seu trabalho em algum lugar (sim, você vai chegar nesse estágio…) , essa camada de verniz protege seu trabalho dos temíveis “borrões”).

Escova macia

Não existe uma escova específica, mas o fato é que você precisa retirar as sobras de borracha ou grafite do desenho e para isso, qualquer escova com cerdas macias lhe ajudará nessa tarefa.

A única observação aqui é que nunca tente realizar essa limpeza utilizando as mãos ou um pano, pois você corre o risco de danificar a superfície do seu trabalho.

Boleador

O boleador se assemelha a uma “caneta sem tinta” e o desenhista, ao passar a ponta dessa “caneta” no papel, cria “valetas” ou “sulcos” que evitam com que o artista (sim, você mesmo!!) precise ficar pintando fio por fio para dar a noção de cabelos ou pêlos grisalhos, por exemplo.

Como a aplicação do boleador faz com que o papel fique com esses espaços em branco, ele deve ser aplicado no papel antes do grafite para que esses “fios de barba” (por exemplo) contrastem com os “fios pretos”.

Veja abaixo uma barba com fios grisalhos feitos com o boleador:

Conclusão:

Bom, chegamos ao final de mais um artigo e como você leitor pode ver, a lista de de materiais essenciais para a produção de um DESENHO REALISTA em nada se assemelha à “materiais da NASA” mas, pelo contrário, são itens até bem simples que podem ser encontrados em papelarias ou livrarias.

Eu espero que esse artigo tenha esclarecido esse assunto e vamos seguir em frente, pois ainda temos muito (eu disse “mmmuuuiiitttoooo!!!”) conteúdo para ver.

Até breve….

Fontes Pesquisadas:

  • https://dessiner.wordpress.com/2010/07/13/como-usar-o-boleador-em-desenhos-grafite/
  • https://lamorghana.deviantart.com/art/Tutorial-draw-texture-267920532
    http://carlosdamascenodesenhos.com.br/14-materiais-essenciais-para-fazer-desenhos-realistas/
  • http://trilhasdaarte.com.br/
  • http://brushworkatelier.com/blog/desenho-realismo
  • DOTA, Jabes Ribeiro. Materiais para desenhar. Guia Curso de Desenho Realismo Rosto – Retratos, Santo André – SP, On Line Editora, ano 01, volume 01, março 2016