Texturas – Dicas e macetes

Tempo de leitura: 7 minutos

Desenvolvendo a habilidade

Olá artistas!

Nossa, depois de uma pausa, voltei a escrever no blog!!!

Hoje vamos falar de um assunto que, se por um lado confere ao desenho toda a sensação de forma e volume, por outro é motivo de muita dúvida por parte de qualquer amante da arte realista: O DESENHO OU REPRODUÇÃO DE TEXTURAS.

Na realidade, a criação de texturas em um desenho é um desafio para qualquer artista, pois se ela é feita em um nível muito superficial, o resultado final não transmitirá o realismo desejado mas, por outro lado, uma textura com muitos detalhes pode deixar o desenho confuso também.

A técnica e sensibilidade para o desenho de texturas podem ser desenvolvidas e aprimoradas ao longo do tempo. Com muito treino e dedicação o artista pode alcançar a reprodução de formas e volumes ou mesmo de manchas de pele, cicatrizes, póros, rugas, marcas de expressão, etc…

Existem ainda algumas situações em que as superfícies são ainda mais complexas, como água, tecidos, metal e que demandam também uma observação mais minunciosa e por isso a sensibilidade e poder de observação do artista são aspectos importantíssimos para transmitir ao desenho toda a sensação de “realidade” que desejamos.

Mas para começar, o que são texturas? 

Bom, podemos definir as texturas como sendo um conjunto de traços seguindo um determinado padrão (podem ser traços paralelos, cruzados, circulares, pontilhados, etc…) e que são aplicados em uma determinada área do desenho para se criar naquela região a ilusão de volume ou superfície (madeira, metal, pele, pêlos, etc…). E existem casos em que depois da aplicação desse “padrão” de traços, pode-se usar também materiais auxiliares para finalizar o trabalho, como por exemplo o pincel ou esfuminho.

Quando o artista se propõe a reproduzir qualquer tipo de textura em sua obra, o seu poder de observação e sensibilidade podem fazer a diferença para se atingir o realismo necessário, pois ele precisa entender como cada superfície se comporta:

Superfícies duras – Uma superfície dura e lisa, como metal ou vidro, é altamente reflexiva. Isso significa que a luz atinge mais a superfície e volta. Isso cria bordas nítidas e contrastes mais fortes de valores claros e escuros.

Superfícies macias – Uma superfície macia, como pano ou folhas, absorve a luz, criando transições suaves entre destaques e sombras.

Superfícies ásperas – Se a superfície for áspera, a luz atinge uma área menor da superfície ou a atinge em áreas específicas apenas. A luz refletida é menor, fazendo variâncias mais suaves. Mas quanto mais profundos os mergulhos ou fendas, mais difícil é a textura. Superfícies ásperas como a casca de árvores, têm muitos sulcos pequenos que são mais complexos de se reproduzir.

Abaixo nós vamos conhecer um exercício bem simples para o treino inicial da criação de texturas e que vale a pena para que o desenhista desenvolva a sensibilidade, coordenação motora e maior firmeza no traçado e você pode criar o padrão que quiser dentro de cada quadrado.

Treino para criação de texturas

1 – Em uma folha em branco, desenhe quantos quadrados quiser;

2 – Na sequência, em cada quadrado da folha, comece a traçar linhas com vários padrões (horizontal, vertical, diagonal, curvas, etc…). Lembrando que em cada quadrado você deve colocar apenas um único padrão de traço.

É importante ressaltar que o quadro acima é apenas um exemplo, pois fazendo esse simples exercício, você começa aos poucos a criar o hábito de concentração e também vai aflorando sua criatividade para a criação de superfícies cada vez mais realistas.

Embora a técnica acima o ajude muito a se familiarizar com texturas, o papel pode ajudar também para que o efeito final seja realmente “realista”, pois um papel mais áspero pode ser indicado para reprodução de texturas igualmente ásperas ou então com um papel de superfície lisa podemos conseguir reproduzir superfícies brilhantes ou polidas.

Uma dica importante é que o desenho com um contraste de texturas apresenta um resultado muito mais real do que um desenho com apenas um tipo de textura.

Dicas para criação de texturas

Ok, mas e na prática? 

Conforme citei no começo desse artigo, a texturização é um dos assuntos mais discutidos entre os artistas e o que causa o maior número de dúvidas, pois de certa forma, a reprodução de uma superfície depende muito da observação de cada um.

Dessa forma, segue abaixo algumas dicas sobre algumas texturizações de objetos:

Rochas – Com a variação entre sombreados leves ou mais fortes, podemos reproduzir fissuras profundas ou imperfeições nesse tipo de superfície e a rigidez desse tipo de material pode ser mostrada através de contornos mais fortes e definidos. 

Árvores e folhagens – Para criar a ilusão de folhas de árvores, podemos fazer traços aleatórios. A primeira camada identifica e molda os feixes de folhas. Desenhe os ramos que não estão ocultos pelas folhas. Em seguida, crie camadas adicionais, trabalhando à partir das áreas de sombra para as áreas foliares mais leves. Com cada camada, adicione mais definição e textura aos feixes de folhas. 

Metal escovado – O aspecto duro e liso pode ser reproduzido por escalas de tom, bastando ao artista acentuar essas áreas e é importante também que para cada uma dessas divisões a uniformidade do traço seja mantida para ressaltar a propriedade lisa da superfície.

Madeira – É naturalmente uma superfície que não reflete a luz e por isso ela não possui muito contraste entre partes claras e escuras. A textura da madeira pode ser reproduzida através de linhas com comprimentos e espessuras variados e também com algumas manchas mais escuras.

Mais alguns “macetes”

  • Encontre a área mais escura do desenho e, à partir dela, estabeleça seus tons de preto, pois isso permite que você use toda a gama de valores de branco para preto;
  • Trabalhe da direita para a esquerda se você for canhoto, e da esquerda para a direita, se for destro;
  • Trabalhe do plano de fundo para o primeiro plano e de cima para baixo;
  • Comece na área mais detalhada (ponto focal). Todas as outras áreas podem ser esboçadas com menos detalhes.

Conclusão

O objetivo desse artigo foi dar apenas uma introdução ao tratamento de texturas e é claro que o assunto não termina aqui, pois como já foi dito, esse assunto gera muita discussão entre os artistas.

A sensibilidade, o poder de observação, a experiência e os materiais empregados para a reprodução de cada uma das superfícies fazem com que essa parte do trabalho seja, ao mesmo tempo, desafiadora e prazerosa, pois o seu efeito sobre a obra acabada é definitivo. Se o trabalho for bem executado, a obra final será praticamente “real”, mas do contrário,

O exercício aqui mostrado e também as dicas sobre alguns materiais foram apenas para “abrir” a mente com relação as inúmeras possibilidades que temos para texturizar uma obra, mas o caminho de estudo e discussão sobre o assunto ainda é extenso. 

Enfim, a gente vai ficando por aqui e nos vemos na próxima!

Fontes pesquisadas:

  • http://www.desenhefacil.com.br/aula-6-como-criar-texturas/
  • https://pencils.com/drawing-lessons-creating-textures/
  • http://www.jdhillberrytutorials.com/
  • https://design.tutsplus.com/tutorials
  • http://www.amopintar.com/
  • https://youtu.be/LydlsKYbuF8
  • https://youtu.be/LENNQb5ds6Q
  • https://youtu.be/8ZpUl3at3gI
  • https://youtu.be/_c5v0ldQsag